Presidente do Sintex comenta sobre dificuldades do setor têxtil catarinense

A necessidade de produzir com criatividade e inovação é um dos desafios do setor na busca por competitividade.

No primeiro trimestre deste ano, de janeiro a março, as exportações do setor têxtil catarinense ocuparam o posto de vice-liderança nacional, contabilizando cerca de US$ 41,6 milhões de dólares, ficando atrás apenas de São Paulo. No entanto, o fato ainda não é motivo para comemoração.  “É um volume quase insignificante. Infelizmente, o Brasil perdeu poder de exportar confeccionados, exporta ainda muito algodão”, explica o presidente do Sintex – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e região, José Altino Comper.

No mesmo período, as importações do setor têxtil catarinense chegaram a US$ 1,5 bilhão de dólares, sendo a China o maior fornecedor. O diretor executivo do Sintex, Renato Valim, explica que nem tudo fica em SC. “Este volume é importado por aqui, mas, muitas vezes são de empresas de São Paulo ou de outros estados que optam por desembaraçar as mercadorias em nossos portos por questões logísticas ou de custos”, descreve.

Outro ponto que merece atenção, conforme Valim explica, é o destino das exportações. “O segundo maior destino dos itens exportados de janeiro a março deste ano foi o Paraguai. Muitas empresas exportam para lá a fim de usufruir dos benefícios da Lei de Maquila e após o processo de manufatura os produtos voltam para o Brasil”, destaca.

Expectativas

As perspectivas para o ano estão mornas. “Havia uma expectativa de recuperação da economia mais rápida, mas isso não se confirmou ainda. Está todo mundo acreditando nela, no entanto, o País ainda necessita de mudanças na economia e aprovação das reformas necessárias”, aponta o presidente do Sintex.

Comper destaca ainda que é preciso estabilidade cambial. “Há otimismo nesse sentido, mas ele ainda não se realizou também”, ressalta. Com relação à situação das fábricas catarinenses atualmente, o executivo destaca que muitas empresas têxteis estão com ociosidade fabril, à espera do aumento do consumo, que, conforme explica Comper, só virá com o aumento da renda e redução do desemprego.

Como vencer as dificuldades?

“Para se manter no mercado, as empresas têm que buscar a redução de custos; trabalhar a produção com informação de moda; inovação e produto com valor agregado. Tem que sair do básico, porque o básico não traz competitividade, não traz resultado. É preciso muita inovação, criatividade e também muito trabalho”, enumera Comper.

Ações

Para auxiliar as empresas têxteis da região, o Sintex vem empreendendo algumas ações estratégicas, como a luta pela manutenção da política de incentivo fiscal pelo Governo do Estado.  “O que nos preocupa é que parece que incentivo fiscal é um dinheiro que vai para o bolso do empresário. Ele não vai! Ele gera emprego, renda, e é nisso que Santa Catarina é diferenciada. Se nosso estado é diferenciado é porque ele tem uma indústria diferenciada e o empresário daqui investe aqui. Um país que tem indústria desenvolvida tem muito menos problemas”, explica o presidente do Sintex.